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Correções no Treino de Cães: Quando, Como e Porquê Corrigir

Vamos explorar um pouco mais sobre este tema e ver se as correções são realmente o caminho certo na educação do teu cão.

Criança a puxar pela trela um pug que não quer andar

O teu cão salta para cima das visitas. Dizes “não”. Ele salta outra vez. Dizes “não” mais alto. Ao quinto “não”, ele já nem olha para ti. Ou então estás do outro lado: leste algures que corrigir um cão é cruel e passaste a ignorar tudo o que ele faz de errado, à espera que perceba sozinho.

Nenhum dos dois caminhos funciona. Neste artigo explicamos-te como usamos as correções no treino de cães: o que são, porque fazem falta, como se fazem bem e, igualmente importante, quando não deves corrigir o teu cão.

O que é uma correção (e o que não é)

Uma correção é uma informação. Diz ao cão, no momento exato, “isso não”. Nada mais. Não é um castigo, não é uma vingança e não tem como objetivo assustar ou magoar o cão.

A diferença é simples de perceber:

Correção Castigo
Acontece no momento do comportamento Acontece tarde, quando o tutor “dá por isso”
Tem a intensidade mínima para o cão perceber Tem a intensidade da frustração do tutor
É calma e previsível É emocional e imprevisível
É seguida de uma oportunidade de acertar Termina ali, sem mostrar a alternativa
Ensina Assusta

Quando falamos de correções na Train Your Dog, falamos sempre da coluna da esquerda.

Porque é que as correções no treino de cães fazem falta

Os cães aprendem pelas consequências do que fazem. Se um comportamento traz algo bom, repete-se. Se traz algo desagradável ou não traz nada, tende a desaparecer. Explicamos isto com mais detalhe no artigo sobre como os cães aprendem.

Se só recompensas, o cão sabe o que deves querer, mas não tem forma clara de saber o que não queres. Muitos comportamentos indesejados são, por si só, muito recompensadores para o cão: roubar comida da mesa, perseguir um gato, saltar para as visitas. Nenhum biscoito compete com isso. É aqui que a correção entra: torna claro que aquela opção não está disponível, e o reforço mostra qual está.

Os próprios cães comunicam limites entre si. Um cão adulto que é incomodado por um cachorro insistente avisa-o, com um olhar, uma postura ou um rosnar curto, e o cachorro aprende. Não há ressentimento, há clareza. É esse o espírito de uma boa correção.

É por isso que a nossa metodologia de treino é equilibrada: reforço e correção, os dois lados da mesma comunicação.

As 4 regras de uma correção eficaz

1. Timing: no momento, não depois

O cão associa a correção ao que está a fazer naquele instante. Corrigir enquanto o cão está a pôr as patas na mesa funciona. Corrigir quando ele já desceu e veio ter contigo ensina-lhe que vir ter contigo é má ideia.

O melhor momento é ainda mais cedo: na intenção. O cão fixa o olhar no prato, inclina-se para a frente, prepara-se para saltar. Corrigir aí é mais fácil, exige menos intensidade e evita que o comportamento chegue a acontecer.

2. Intensidade: a mínima necessária

Uma correção tem de ser suficiente para o cão perceber, e não mais do que isso. Para um cão sensível, um “não” calmo chega. Para um cão muito motivado pode ser preciso juntar uma pressão breve na trela.

Se dás por ti a ter de aumentar a intensidade cada vez mais, para. Esse é o sinal de que algo está errado no treino: o timing, a consistência, a falta de uma alternativa recompensada, ou um cão que está a ser exposto a demasiado e cedo demais.

3. Consistência: sempre a mesma regra

Se o cão pode subir ao sofá ao domingo mas leva um “não” à segunda, ele não aprende a regra; aprende que tu és imprevisível. O mesmo vale para a família: se uma pessoa corrige e outra deixa, o cão vai testar sempre.

Definam as regras e limites lá em casa em conjunto, e cumpram-nas todos.

4. Mostrar a alternativa e recompensá-la

Uma correção sozinha diz ao cão o que não fazer. Fica a faltar o que fazer em vez disso. Por isso, depois de cada correção, damos ao cão uma oportunidade clara de acertar e recompensamo-lo quando acerta.

Exemplo: o cão prepara-se para saltar para uma visita. “Não”. Pedes-lhe um “senta”. Ele senta-se. “Sim”, e a recompensa é a visita fazer-lhe festas, enquanto ele se mantém sentado. Vê o passo a passo no artigo sobre como treinar o teu cão para parar de saltar.

Tipos de correção que usamos

Não precisas de equipamento especial. As correções que usamos no dia a dia são simples:

Correção Como se faz Quando é útil
Verbal Um “não” curto, firme e calmo, sem gritar Em casa, à distância, na intenção do comportamento
Pressão na trela Uma pressão breve e logo a seguir trela solta, com coleira normal ou peitoral Nos passeios: puxar, fixar-se em algo, tentar apanhar coisas do chão
Bloqueio com o corpo Ocupar o espaço à frente do cão, com calma, sem tocar Portas, cozinha, cão que tenta passar à tua frente
Retirar a atenção Virar costas, parar a brincadeira, sair do espaço Mordiscar durante a brincadeira, pedir atenção a ladrar
Repor a posição Voltar a colocar o cão onde lhe pediste e repetir o exercício Cão que sai do “fica” ou do “junto” antes de ser libertado

Como fazer bem uma correção com a trela

É a correção que mais tutores fazem mal, por isso merece atenção:

  • A trela tem de estar solta antes. Uma trela sempre esticada não comunica nada; o cão habitua-se à tensão constante.
  • A pressão é breve. Aplicas e soltas logo. A informação está no contraste entre tensão e trela solta.
  • A direção importa. Para o lado ou para trás, na direção onde queres o cão, nunca para cima.
  • Nunca manténs a tensão nem levantas o cão do chão. Isso deixa de ser comunicação.

Se o teu cão puxa constantemente, a correção por si só não resolve: é preciso ensinar o cão a passear à trela, recompensando a trela solta.

Quando não deves corrigir o teu cão

Saber quando não corrigir é tão importante como saber corrigir. Não corrigimos:

  • Um cão em plena reação. Um cão que ladra e se lança a outro cão está acima do seu limiar: não está em condições de aprender. Afasta-te, baixa a intensidade da situação e trabalha a uma distância em que ele ainda consegue pensar. Explicamos como no artigo sobre o cão que ladra a outros cães.
  • O medo. Um cão com medo precisa de ganhar confiança, não de ser corrigido. Vê as nossas dicas para ajudar cães com medos.
  • O rosnar. O rosnar é um aviso. Se o corriges, o cão pode aprender a deixar de avisar e passar diretamente à mordida. Lê o que fazer no artigo sobre o cão que rosna ou morde.
  • Depois do facto. Chegar a casa, encontrar o sofá roído e corrigir o cão não ensina nada: ele não liga a correção ao que fez há horas. Previne em vez de corrigir (vê como evitar que o teu cão destrua tudo).
  • O que o cão ainda não sabe. Só faz sentido corrigir um comportamento que o cão já aprendeu. Se nunca lhe ensinaste o “fica”, não o podes corrigir por se levantar.
  • Quando estás irritado. Se a correção vem da tua frustração, já não é informação. Respira, interrompe a situação e volta ao treino depois. A tua energia como tutor conta muito.

Com cachorros muito novos, as correções são mais suaves e o foco está em interromper e redirecionar. Vê como lidar com as mordidelas no artigo sobre como educar o teu cachorro para parar de morder.

Os erros mais comuns ao corrigir um cão

  1. Repetir “não” sem consequência. Se dizes “não” dez vezes e nada muda, o cão aprende que “não” é ruído de fundo. Diz uma vez e garante que o cão para.
  2. Corrigir tarde. Segundos de atraso chegam para o cão associar a correção a outra coisa.
  3. Subir a intensidade em vez de rever o treino. Mais força raramente é a solução; mais clareza quase sempre é.
  4. Só corrigir, nunca recompensar. Um cão que só ouve “não” fica inseguro e deixa de tentar.
  5. Inconsistência na família. Regras diferentes para pessoas diferentes confundem o cão.
  6. Gritar ou corrigir com raiva. Assusta o cão e estraga a relação, sem ensinar nada.

E as coleiras de picos e eletrónicas?

Não fazem parte do nosso treino. Na Train Your Dog não usamos coleiras de picos nem coleiras eletrónicas. Trabalhamos com coleira normal ou peitoral e trela, com a voz e com o corpo. Quando o timing, a consistência e o reforço estão certos, as correções simples chegam.

Quando deves pedir ajuda a um treinador

Se sentes que corriges o teu cão o dia todo e nada muda, se ele parece ter medo de ti, se a intensidade das correções está a subir ou se o problema envolve agressividade ou reatividade, é altura de pedir ajuda. Um treinador consegue ver o que te está a escapar: muitas vezes é o timing, outras vezes é o tipo de correção errado para aquele cão.

Trabalhamos em Braga, Guimarães, Famalicão, Porto, Gaia e Aveiro, e também online. Tudo começa com uma avaliação de 45 minutos, em que conhecemos o teu cão e definimos contigo o caminho a seguir.

Se preferires começar por conta própria, o ebook Como educares o teu cão e o nosso curso online explicam como combinar reforço e correção no dia a dia.

Conclusão

As correções no treino de cães não são crueldade nem um atalho. São metade da comunicação. Uma boa correção acontece no momento certo, tem a intensidade mínima, é sempre a mesma e é seguida de uma oportunidade de acertar, que recompensas. E há situações em que simplesmente não se corrige: medo, rosnar, reação em curso ou comportamentos que o cão ainda não aprendeu.

Corrige pouco, corrige bem e recompensa muito. O teu cão vai agradecer a clareza.

Perguntas frequentes

É errado corrigir o cão?
  • Não, desde que a correção seja calma, proporcional e no momento certo.
  • Uma correção dá ao cão informação que o reforço sozinho não dá: o que não deve fazer.
  • O que é errado é castigar: tarde, com raiva ou com força desproporcionada.
Posso bater no meu cão para o corrigir?
  • Não. Bater assusta o cão, estraga a confiança em ti e não lhe ensina o que deve fazer.
  • As correções eficazes são simples: a voz, uma pressão breve na trela, o bloqueio com o corpo.
Como devo dizer “não” ao meu cão?
  • Uma vez, num tom firme e calmo, no momento em que o comportamento começa.
  • Se o cão não parar, garante que para (por exemplo, com a trela ou bloqueando o caminho), em vez de repetir a palavra.
  • Logo a seguir, mostra-lhe o que deve fazer e recompensa.
Quanto tempo depois posso corrigir o meu cão?
  • A correção tem de acontecer durante o comportamento, ou mesmo antes, na intenção.
  • Corrigir depois do facto (por exemplo, ao chegar a casa e ver algo destruído) não funciona: o cão não faz a ligação.
Corrigir o cão faz com que ele deixe de gostar de mim?
  • Não, se as correções forem justas, previsíveis e acompanhadas de muito reforço.
  • Regras claras dão segurança ao cão; o que prejudica a relação é a imprevisibilidade e a raiva.
Devo corrigir um cachorro?
  • Sim, mas de forma mais suave, com foco em interromper e redirecionar para o comportamento certo.
  • Com cachorros, a prevenção e a gestão do ambiente fazem a maior parte do trabalho.
A correção com a trela magoa o cão?
  • Uma pressão breve com coleira normal ou peitoral, seguida de trela solta, não tem como objetivo magoar.
  • O que deves evitar é manter a trela sempre esticada, puxar para cima ou dar esticões fortes.
  • Não usamos coleiras de picos nem coleiras eletrónicas.

Primeira avaliação: 45 minutos

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